Granitos Comerciais & Granitos Verdadeiros

Granitos Verdadeiros x Granitos Comerciais

Granitos no sentido comercial são qualquer pedra (rocha) natural mais dura para ser processada que o mármore (cortou, poliu e não é mármore... estão chamando de granito).

Esses “granitos” têm diferentes origens geológicas e suas mineralogias são as mais diversas possíveis. Petrograficamente, podem ser magmáticas (ígneas) como os granitos verdadeiros, metamórficas como os gnaisses e, até mesmo, sedimentares como os arenitos e os calcários(limestones).

Os granitos verdadeiros, i.e., granitos no sentido científico, compõem apenas um pequeno grupo dentro do vasto mundo dos granitos comerciais. São rochas de coloração clara, formadas a partir da cristalização de magma riolítico, nas partes mais internas e profundas da crosta terrestre (de 10 a 30 Km de profundidade a partir da superfície e pertencem ao grupo das rochas plutônicas). São rochas especiais, com características físicas especiais que lhes dão maior resistência. A dureza dos minerais que compõem os granitos verdadeiros (quartzo, feldspato e mica) permite um polimento melhor e muito mais durável, quase eterno. Ressalvados os aspectos estéticos, tanto maior a quantidade de quartzo presente, maior a dureza do granito (o quartzo não pode ser arranhado por ferramentas comuns, nem pelo aço). Além desses aspectos os granitos verdadeiros apresentam-se na natureza como belíssimas rochas de coloração variada. Assim, é comum encontrar-se granitos verdes, vermelhos, amarelos, dourados e excepcionalmente, brancos (albita-granito – caso do granito Branco Ceará). Daí, a preferência do usuário pelos granitos verdadeiros tornar-se cada vez maior.

Em muitos granitos comerciais é comum a presença de minerais máficos (piroxênios, anfibólios, biotita, ect.) emprestando-lhes uma coloração escura e uma dureza menor. Daí, esses “granitos” escuros serem mais macios, mais fáceis de desdobrar e polir. Em compensação, são granitos mais moles e, consequentemente, menos resistentes e não devem ser utilizados em obras de intenso trânsito humano onde o vai-e-vem é constante e o desgaste é maior, resultando na perda do brilho do “granito” aplicado. Além do grau de dureza mais baixo, sua mineralogia é tipicamente ferro-magnesiana e podem apresentar casos de oxidação indesejáveis (ferrugem), se utilizados em obras expostas a ambientes agressivos ou de intensa umidade (grandes cidades como São Paulo e Nova Iorque, onde normalmente o clima é úmido e a poluição do ar é constante). Nesses locais, observa-se que a poluição atmosférica contém certas substâncias que são corrosivas e prejudiciais aos granitos aplicados. Podem-se citar, como exemplos, os óxidos de enxofre e de nitrogênio – derivados da queima de combustíveis, que, ao reagirem com a água, produzem a “chuva ácida” – ou a amônia. A água reage com o dióxido de carbono para formar o ácido carbônico segundo a reação, H2O + CO2 > H2CO3 > H+ + HCO3-. Todos esses produtos da poluição atacam a rocha, liberando o ferro presente nos minerais (Fe2+). Daí, em excesso de umidade, a reação Fe2+ + 2(OH)- > Fe(OH)2 provoca o surgimento de manchas ferruginosas nesse tipo de granito.

Entre os granitos comerciais encontram-se, formando um grande grupo, as rochas metamórficas, formadas pela recristalização de rochas mais antigas, sejam sedimentares, magmáticas, ou mesmo, a partir de outras rochas metamórficas, em processos envolvendo aumentos de temperatura e pressão em subsuperfície. É grande o campo desses processos tectono-termais envolvendo as variáveis, pressão, temperatura e tempo. À medida que essas rochas mergulham crosta a dentro, há um contínuo processo de recristalização e novos minerais podem substituir outros mais antigos numa complexa sucessão mineralógica adequada às novas condições de temperatura e pressão. Nesse grupo, famosos são os gneisses (náisses), rochas com faixas, leitos ou bandas fortemente orientados. Essa orientação é chamada de xistosidade e é a característica das rochas metamórficas. Quando for possível se identificar qualquer tipo de orientação conjunta de minerais numa rocha, pode-se dizer com certeza, que se trata de uma rocha metamórfica. Entende-se por orientação de minerais o fato desses minerais mostrarem-se alongados sempre numa mesma direção. Essa orientação resulta de uma pressão dirigida e acontecida à época da formação da rocha que parece como se tivesse sido prensada e os minerais esticados perpendicularmente à força exercida.

Quando formadas em ambientes de altas pressões e/ou temperaturas, essas bandas ou leitos podem apresentar ondulações ou movimentos característicos. São “os granitos” movimentados, tão bem conhecidos no mundo das rochas ornamentais. Quando oriundos de uma rocha ígnea preexistente, por exemplo, um granito, são chamados de ortogneisses, quando oriundos de uma outra rocha metamórfica ou sedimentar são ditos paragneisses. Outras rochas de estruturas similares deste grupo são os migmatitos e granulitos, formadas em altas temperaturas e pressões e que podem apresentar dureza até mais elevada que os granitos verdadeiros. Uma característica comum nessas rochas é a presença do mineral granada (garnet) (aquelas pintinhas vermelhas tão comuns no “granito” indiano conhecido como Cashemir White e em alguns “granitos” brasileiros).

Enquanto a maioria dos granitos comerciais é bem mais velha (quase todos do proterozóico – 540 a 2500 milhões de anos e alguns até mais antigos ainda - arqueanos), os granitos verdadeiros são mais jovens e sadios (rochas de idade ordo-cambriana – 440 a 540 milhões de anos – caso do granito Branco Ceará.

Por uma questão de custo, as serrarias preferem serrar os “granitos” mais velhos e mais macios, incluindo-se aí a suíte de rochas metamórficas (gnaisses e xistos) e aqueles “granitos” de natureza ferro-magnesiana, como os gabros, dioritos, anortositos e charnockitos, ect. Mas por uma questão econômico-comercial, rendem-se aos granitos mais duros, pois enquanto aqueles “granitos” são feios, moles e perdem o brilho facilmente, os granitos verdadeiros, mais duros e mais coloridos fazem a preferência do consumidor, hoje bem mais atento a estes aspectos diferenciais dos granitos que compra e usa.

De uma maneira geral e, unicamente por uma questão geológica, os granitos comerciais estão mais distribuídos na região sudeste, enquanto os granitos verdadeiros têm maior presença nos terrenos cristalinos da região nordeste e norte do país. Fica bem claro, entretanto, que os dois tipos coexistem em ambas as regiões citadas e que, em casos especiais, os granitos comerciais podem ser mais duros e bonitos que os granitos verdadeiros.

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